Fabricantes chinesas de eletrodomésticos registram alta nas exportações de ar-condicionado para a Europa.
A recente e intensa onda de calor na Europa, com temperaturas batendo recordes em diversos países europeus, tem provocado um efeito inesperado e positivo para grandes fabricantes chinesas de eletrodomésticos. Com o calor intenso, consumidores europeus buscam soluções rápidas para o conforto térmico em suas residências.
A alternativa encontrada por muitos tem sido os aparelhos portáteis de ar-condicionado. Estes equipamentos se destacam pela facilidade de instalação e custo mais acessível em comparação aos sistemas split, mais comuns em outros mercados. A crescente demanda beneficia diretamente empresas como Midea Group, Haier Smart Home e Gree Electric Appliances.
Essas companhias chinesas têm ampliado sua presença no mercado europeu com foco nesses modelos portáteis. Segundo a Morningstar, a expectativa é que a forte demanda por ar-condicionado, incluindo modelos portáteis e de janela, sustente o crescimento das exportações chinesas durante o verão no hemisfério norte. Esse aumento nas vendas deve impactar positivamente os resultados financeiros do segundo e terceiro trimestres, conforme divulgado pela Bloomberg L.P.
Midea e Haier projetam crescimento de dois dígitos em vendas de ar-condicionado na Europa.
A Midea, com sede em Foshan, pode registrar um aumento superior a 20% nas vendas de ar-condicionado para consumidores europeus no segundo trimestre, de acordo com estimativas do Citi. A empresa se preparou para a temporada de calor, aumentando seus estoques em até três vezes em relação ao ano anterior.
A Haier Smart Home também deve apresentar uma expansão de dois dígitos em sua divisão de ar-condicionado na Europa até 2026. Em 2025, este segmento já representava cerca de 20% das operações da companhia na região. A Gree, por sua vez, possui uma menor exposição ao mercado externo, com vendas internacionais correspondendo a aproximadamente 15% de sua receita total, conforme informações do Citi.
Mercado doméstico chinês enfrenta desafios, mas Europa oferece potencial de crescimento.
Apesar do impulso vindo da Europa, analistas indicam que o desempenho no continente dificilmente compensará integralmente a desaceleração do mercado doméstico chinês. O mercado interno da China é a principal fonte de receita para essas fabricantes, que enfrentam consumo enfraquecido, redução de subsídios governamentais e aumento nos custos de matérias-primas.
A valorização de metais industriais como alumínio e cobre, componentes essenciais para a fabricação de equipamentos de refrigeração, também é uma preocupação. Esse aumento nos custos pode pressionar as margens de lucro e limitar parte dos ganhos obtidos com a alta demanda internacional.
Baixa penetração de ar-condicionado na Europa abre espaço para expansão.
O potencial de crescimento para o ar-condicionado na Europa, contudo, permanece elevado. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) revelam que apenas cerca de 20% das residências europeias possuem sistemas de ar-condicionado. Esse baixo índice de penetração indica um vasto espaço para expansão do mercado.
A praticidade de uso, o menor custo de instalação e os preços competitivos dos aparelhos chineses dão uma vantagem considerável no continente. Se os episódios de calor extremo se tornarem mais frequentes devido às mudanças climáticas, a demanda por ar-condicionado pode se consolidar como uma fonte recorrente de crescimento para o setor. A busca por modelos de ar-condicionado, especialmente os portáteis, tende a crescer com a intensificação das ondas de calor, impulsionando as vendas das empresas chinesas.

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