Raízen se aproxima de acordo para recuperação extrajudicial, mas “Raízen 2.0” gera apreensão no mercado
A Raízen (RAIZ4) está prestes a fechar um acordo de recuperação extrajudicial com seus credores, com a expectativa de apresentar o documento final à Justiça até segunda-feira (8). A empresa busca renegociar uma dívida que ultrapassa os R$ 55 bilhões.
Com o acordo em vias de ser concluído, o foco do mercado se volta para o futuro da companhia, a chamada “Raízen 2.0”. As incertezas residem principalmente na divisão da empresa em dois braços de operação: combustíveis e energia, e qual será o tamanho de cada um após a reestruturação financeira.
Acionistas minoritários, produtores e agentes de mercado expressam apreensão, especialmente em relação à Raízen Energia, responsável por 24 usinas de processamento de cana-de-açúcar. Essa divisão já passou por um processo de desalavancagem, com a venda e fechamento de unidades, superando R$ 4 bilhões apenas no setor agrícola. Conforme informações divulgadas pelo Money Times, a incerteza paira sobre o tamanho que a Raízen Energia terá após a reestruturação, sua governança e a visão dos bancos credores sobre a nova estrutura.
Dúvidas sobre o futuro da Raízen Energia e governança
Um acionista questiona os rumos da empresa, perguntando sobre a participação da Shell na operação de açúcar e álcool ou apenas na distribuição, além das decisões que o conselho de credores poderá tomar. Há também a preocupação sobre a possível redução na moagem de cana e a venda de mais usinas.
Impacto da reestruturação nos fornecedores de cana
Para os fornecedores de cana, a incerteza se estende à priorização da moagem de cana própria, que possui um custo de capital (capex) quase dobrado, em detrimento da matéria-prima de terceiros. A decisão sobre manter terras próprias ou optar por arrendamentos também gera preocupação.
Um produtor de cana destacou que essas definições são cruciais para o planejamento do plantio e renovação dos canaviais para o próximo verão. A situação se agrava para aqueles que precisam renovar contratos sem saber se a usina para a qual fornecem continuará pertencendo à Raízen.
Cosan e Raízen evitam manifestações sobre o plano
Procuradas para comentar o plano de recuperação extrajudicial, a Cosan (CSAN3), que detém 44% das ações da Raízen, e a própria Raízen optaram por não se manifestar até o momento da publicação desta matéria.
Detalhes do plano de recuperação e venda de ativos na Argentina
A proposta da Raízen em fase final de aprovação pelos credores prevê injeções de capital, reestruturação da dívida, mudanças na governança e reorganização societária da joint venture entre Cosan e Shell. O plano inclui um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell e um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto.
Paralelamente, a Raízen segue com a venda de ativos para desalavancagem. Na última quinta-feira, a companhia anunciou a venda de suas operações de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 7,2 bilhões. Os recursos líquidos dessa transação serão destinados à gestão da estrutura de capital e à redução do endividamento, conforme comunicado pela empresa.

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