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Recompras de Ações na Bolsa Aceleram: Veja Papéis com Potencial de Valorização e Alertas dos Analistas

Recompras de ações na Bolsa brasileira ganham força, sinalizando oportunidades e riscos

O mercado de capitais no Brasil tem testemunhado um aumento significativo na aprovação e execução de programas de recompra de ações pelas empresas listadas na B3. Esse movimento, que se intensificou nos últimos meses, é frequentemente interpretado como um sinal de confiança da gestão no valor intrínseco dos papéis, especialmente em um cenário de preços mais baixos. No entanto, analistas ressaltam a importância de uma análise criteriosa antes de considerar a recompra como único guia para investimentos.

Levantamento do Itaú BBA aponta que, apenas nos primeiros 15 dias de junho, nove empresas anunciaram novos programas, totalizando um valor estimado de R$ 6,9 bilhões em pouco mais de um mês. No acumulado do ano, 42 companhias já comunicaram sua intenção de recomprar ações, somando um volume estimado de R$ 25 bilhões. As compras efetivamente realizadas em maio atingiram R$ 2,5 bilhões, e no ano, R$ 8,8 bilhões, representando um crescimento considerável em relação ao mesmo período do ano anterior.

Essa aceleração nas recompras é atribuída, em grande parte, à queda nos preços das ações, tornando a operação mais atrativa. Conforme explica Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações para América Latina do Itaú BBA, “Valuations mais baixos tornam a recompra mais atrativa, a empresa compra barato suas próprias ações. É natural que a administração registre programas quando enxerga as ações descontadas, conforme vimos historicamente nos anos de 2023 e 2024”. Setores como Utilities, com fluxo de caixa mais previsível, como Copel (CPLE3) e Axia (AXIA3), concentram parte expressiva desse volume.

Entendendo o “Buyback Yield” e seu impacto no retorno ao acionista

A métrica fundamental para avaliar o impacto das recompras é o “buyback yield”, que funciona de maneira análoga ao dividend yield. Ele mede o potencial tamanho do programa de recompra em relação ao valor de mercado da empresa. Gewehr destaca que a recompra deve ser vista como mais uma forma de remuneração ao acionista. “Somado ao dividend yield, forma um ‘total yield’, quanto a empresa devolve de capital, via dividendos e recompras juntos”, afirma.

O Itaú BBA estima que o buyback yield esperado para o Ibovespa esteja em 1,2%. Os setores com os maiores indicadores são Energia (9,4%), Consumo Discricionário (6,4%) e Utilities (5,5%). O JPMorgan complementa a análise ao destacar que setores como Industriais negociam abaixo de sua média histórica de dez anos e projetam crescimento de lucros robusto, enquanto o Consumo Discricionário apresenta um desconto histórico considerável.

Papéis em Destaque: Oportunidades de Valorização e Programas de Recompra Ativos

Algumas ações têm chamado a atenção do mercado por concentrarem programas de recompra ativos, recomendações de compra e potencial de valorização expressivo. Entre os papéis destacados por Itaú BBA e JPMorgan estão VAMOS (VAMO3), com programa de recompra de 3% das ações em circulação e potencial de valorização de 98%; JSL (JSLG3), com potencial de alta de 87%; Totvs (TOTS3), com potencial de 91% e programa de recompra de 3,3%; SmartFit (SMFT3), com potencial de 64%; Localiza (RENT3), com buyback yield acima de 4% e potencial de 60%; e XP (XP), com programa de até US$ 1 bilhão anunciado e potencial de 62%.

Alertas Essenciais: O Que o Investidor Precisa Considerar Antes de Agir

Apesar do otimismo gerado pelas recompras, os analistas de ambos os bancos convergem em dois alertas cruciais. O primeiro é que um programa anunciado não garante sua execução completa. “Dos R$ 81 bilhões em programas abertos, ainda há R$ 71,1 bilhões a recomprar, e muitos programas têm percentual de execução baixo, o registro dá a opção, não a obrigação de comprar”, pondera Gewehr. É fundamental cruzar o sinal de recompra com os fundamentos da empresa, o ritmo efetivo de execução e a tese de investimento individual.

O segundo alerta reside no peso do ambiente macroeconômico. “Estamos em um ano com muitos fatores macro (globais e locais) influenciando o mercado, sendo este um driver maior de retornos”, observa o estrategista. Embora o aumento das recompras seja visto como um sinal positivo e coerente com os valuations descontados da bolsa após a recente correção, o movimento ainda precisa ser consolidado nos próximos meses para confirmar uma retomada mais robusta no mercado acionário.

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