USDA projeta safra recorde de café no Brasil e salto de 30% nas exportações em 2026/27
O Brasil está a caminho de colher uma safra de café sem precedentes em 2026/27, com projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicando um aumento de 14% para 71,9 milhões de sacas de 60 kg. Este volume histórico deve impulsionar as exportações em impressionantes 30%, sinalizando uma forte recuperação após períodos de produção abaixo do esperado.
A expectativa de crescimento é impulsionada principalmente pela produção de café arábica, que deve avançar 25% no ciclo 2026/27. Esse aumento é atribuído à bienalidade positiva da cultura, combinada a condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras e investimentos significativos no setor, estimulados por anos de preços elevados.
Chuvas adequadas durante o período de florada em 2025 e a regularidade hídrica no início de 2026 foram cruciais para o bom desenvolvimento das lavouras, garantindo a perspectiva de alta produtividade. O USDA também destaca que preços internacionais mais altos incentivaram a expansão da área plantada e o aumento dos investimentos em manejo, incluindo a adoção de tecnologias que elevam a densidade de plantio por hectare.
Arábica lidera alta, enquanto Robusta/Conilon mostra leve recuo
A produção de café arábica do Brasil em 2026/27 está estimada em 47,5 milhões de sacas de 60 kg. Por outro lado, a safra de café canéfora (robusta e conilon) é projetada em 24,4 milhões de sacas, um volume ligeiramente inferior às 25 milhões de sacas de 2025/26. Essa pequena redução reflete impactos pontuais de clima mais frio e chuvas excessivas em algumas áreas produtoras, após um ano anterior de alta produtividade para esta variedade, conforme aponta o USDA.
Exportações brasileiras de café devem atingir 49 milhões de sacas
No cenário de comércio exterior, as exportações brasileiras de café são previstas em cerca de 49 milhões de sacas em 2026/27, um salto considerável em relação às 37,8 milhões de sacas do ciclo anterior. Essa elevação está diretamente ligada à maior disponibilidade do grão proporcionada pela safra volumosa.
Apesar da perspectiva otimista, o relatório do USDA aponta que as vendas externas poderiam ser ainda maiores se não fossem os estoques baixos. A limitação nas exportações no início de 2026, segundo o órgão, é resultado de colheitas menores em anos recentes e de uma demanda externa robusta. No entanto, a tendência é de recuperação ao longo do ano, com a aceleração da colheita a partir de meados de maio e maior entrada de produto no mercado no segundo semestre.
Consumo interno de café no Brasil permanece estável
Em relação ao mercado interno, o USDA projeta que o consumo de café no Brasil se mantenha relativamente estável em 2026/27, estimado em 22,39 milhões de sacas de 60 kg. Isso representa um aumento de aproximadamente 0,5% em comparação ao ciclo anterior, indicando uma leve recuperação após uma retração recente causada pela elevação dos preços ao consumidor. Instituições como a Conab e analistas privados também corroboram a expectativa de uma produção recorde para o Brasil.

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