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SLC Agrícola (SLCE3): Acordo com Radar alivia pressão, mas JP Morgan e Bradesco BBI pedem cautela em meio a valuation de terras

SLC Agrícola (SLCE3): Analistas mantêm cautela após acordo sobre terras do Grupo Radar, apesar de alívio parcial

A SLC Agrícola (SLCE3) anunciou um acordo que divide o portfólio de terras conhecido como “Bloco Mato Grosso” com outros interessados. Com essa decisão, a empresa adquirirá 8,9 mil hectares agricultáveis por R$ 669 milhões, um valor consideravelmente menor do que os R$ 1,85 bilhão previstos inicialmente para a compra de toda a área.

Essa reestruturação da negociação trouxe um alívio parcial ao mercado, mas não foi suficiente para mudar a visão cautelosa de alguns analistas sobre as ações da companhia. A redução no montante a ser desembolsado diminui a pressão sobre o caixa e a alavancagem da empresa, mas levanta debates sobre a estratégia de alocação de capital da SLC Agrícola.

Apesar da redução significativa no investimento, as avaliações do JP Morgan e do Bradesco BBI indicam que a cautela persiste. Os bancos mantêm a recomendação neutra para as ações, ponderando os riscos e oportunidades em um cenário de preços de commodities agrícolas voláteis e efeitos climáticos como o El Niño. As informações foram divulgadas pela imprensa especializada em análise de mercado financeiro.

JP Morgan mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 18

O JP Morgan avalia que a nova estrutura do acordo com o Grupo Radar reduz substancialmente a necessidade de financiamento e o impacto sobre a alavancagem da SLC Agrícola. No entanto, o banco acredita que o mercado pode continuar questionando a decisão da empresa em relação à alocação de seu capital.

Os analistas destacam que as ações da SLC Agrícola negociam com um desconto de cerca de 50% em relação ao valor patrimonial líquido (NAV). Isso mantém o debate sobre a conveniência de comprar terras em vez de priorizar a recompra de ações ou a desalavancagem da companhia. Por esses motivos, o banco manteve sua recomendação neutra, com um preço-alvo de R$ 18 por ação.

Bradesco BBI aponta preço elevado e baixo retorno na aquisição de terras

O Bradesco BBI também considera que a redução no escopo da operação torna o negócio “mais fácil de digerir”, mas ainda não o considera totalmente atrativo. A corretora estima que o desembolso adicional de caixa caia para cerca de R$ 82 milhões por ano, uma redução significativa em comparação aos R$ 217 milhões que seriam necessários caso a companhia tivesse adquirido todo o portfólio original.

Apesar da diminuição no impacto financeiro, o BBI ressalta que o preço pago por hectare ainda é considerado elevado. Considerando apenas a terra nua, a aquisição foi fechada por aproximadamente R$ 72 mil por hectare, cerca de 21% acima do preço médio das terras da própria SLC Agrícola. Incluindo a infraestrutura, o valor sobe para R$ 75 mil por hectare, 17% acima da média da empresa.

O BBI calcula que a operação resulta em uma taxa de retorno (cap rate) de aproximadamente 2,8%, considerada baixa e inferior ao custo de capital da empresa. Embora a valorização das terras possa melhorar o retorno a longo prazo, a avaliação é que o investimento não gera valor suficiente nas condições atuais.

Operação não amplia área plantada e eleva alavancagem

Outro ponto destacado pelo Bradesco BBI é que a transação não representa um vetor de crescimento operacional. Como a SLC Agrícola já cultivava os 17,6 mil hectares por meio de contratos de arrendamento, a compra de apenas parte da área não amplia a área plantada da companhia, diferentemente do cenário original, que poderia elevar a área cultivada em cerca de 3%.

A aquisição, mesmo reduzida, ainda deve elevar a alavancagem da SLC Agrícola em cerca de 0,3 vez, levando a relação dívida líquida/Ebitda para 2,9 vezes ao final de 2026. Embora esse patamar seja considerado administrável, ele reduz a flexibilidade para novas expansões futuras da empresa.

Assim como o JPMorgan, o BBI manteve a recomendação neutra para as ações da SLC Agrícola. A casa de análise acredita que o potencial de valorização da companhia depende mais de uma melhora no ciclo das commodities agrícolas. No curto prazo, os riscos para a produtividade relacionados ao El Niño seguem limitando os gatilhos para uma reprecificação dos papéis.

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