UBS BB detalha impactos do teto de juros no crédito consignado privado e aponta vantagens para grandes bancos
A recente implementação de um limite para as taxas de juros do crédito consignado privado está gerando discussões sobre seus efeitos no mercado financeiro. Segundo uma análise do UBS BB, a medida, que estabelece um teto flutuante para as operações, tende a ser **ligeiramente positiva para os grandes bancos** no curto prazo.
Instituições como Bradesco, Santander Brasil, Itaú Unibanco, BTG Pactual, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal não devem sentir grandes impactos negativos. Isso ocorre porque essas instituições já praticam taxas inferiores à média do sistema acrescida de um desvio padrão, situando-se em torno de 3,9%, enquanto a média do sistema chega a 5,0%.
A análise do UBS BB, divulgada recentemente, aponta que, embora o teto de juros vise proteger o consumidor, ele pode **inviabilizar a concessão de crédito para clientes considerados de maior risco**. Estes clientes, que naturalmente demandam taxas de juros mais elevadas devido ao risco associado, podem ter seu acesso ao produto reduzido, diminuindo o mercado potencial para o consignado privado.
Incertezas e Impactos em Seguradoras
Um dos pontos de atenção destacados pelo UBS BB é a forma como o governo definirá o teto, utilizando um fator multiplicador. Essa abordagem pode gerar **incertezas sobre a rentabilidade no longo prazo** para as instituições financeiras. Para as seguradoras, a limitação do Custo Total Efetivo Total (CET) da operação, conhecido como APR, pode dificultar a oferta de seguros prestamistas mais caros, especialmente em operações de prazos mais extensos.
Regras e Ambiguidade no Mercado
Analistas do setor ainda buscam clareza sobre a aplicabilidade do novo limite. Não está totalmente definido se o teto valerá para **todo o mercado de consignado privado ou apenas para operações originadas através da plataforma do governo**, ligada à Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). O teto será calculado trimestralmente e não poderá exceder a taxa média ponderada do sistema mais um desvio padrão, ajustado por um fator multiplicador definido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Adicionalmente, foi estabelecido que o custo total da operação (APR) não poderá ultrapassar em mais de 100 pontos-base a taxa de juros mensal do empréstimo. O APR poderá incluir apenas juros, multas por atraso, tributos e o seguro prestamista, buscando maior transparência nos custos para o consumidor.
Relevância Crescente do Consignado Privado
O modelo de crédito consignado privado foi lançado em março de 2025 e tem demonstrado um **crescimento expressivo**. Atualmente, registra originação mensal entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões, um salto considerável em comparação com os R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões do modelo anterior. O formato é visto como positivo por combinar boa rentabilidade com potencial de expansão para as instituições financeiras, ao mesmo tempo que busca reduzir o custo do crédito para parte dos clientes. Até a criação desta nova regra, não havia um teto formal para este tipo de operação.
Recomendações de Investimento
Apesar das incertezas regulatórias, o UBS BB mantém sua recomendação de compra para empresas como Nu Holdings, Bradesco, Santander Brasil e Inter. Para Itaú Unibanco e BTG Pactual, a recomendação permanece neutra, refletindo as diferentes posições e estratégias das instituições frente ao novo cenário do crédito consignado privado.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.







