XP Investimentos vê 2026 como ano de virada para distribuidoras de energia, com potencial de um dos melhores desempenhos do mercado.
Após um período de desempenho abaixo da média do mercado, as distribuidoras de energia parecem estar em um ponto de inflexão. A XP Investimentos projeta um 2026 significativamente mais positivo para o setor, com expectativas de um dos melhores desempenhos do ano. A mudança de perspectiva se baseia em um cenário mais benigno, após enfrentar quedas relevantes nos retornos sobre capital investido (ROIC).
A corretora atualizou suas estimativas e recomendações, destacando Energisa (ENGI11) e Equatorial (EQTL3) como ações essenciais para se ter em carteira no próximo ano. A análise também revisou outros players, como Cemig (CMIG4), mantida em neutro, e Light (LIGT3) e Copel (CPLE3), com recomendação de compra. Em contrapartida, CPFL (CPFE3) teve sua recomendação rebaixada de compra para venda.
Segundo os analistas da XP, a melhora esperada para 2026 é impulsionada pela precificação da maioria das notícias negativas recentes. Questões como a deterioração dos ROICs percebidos, decorrente de menores eficiências em despesas operacionais (opex) e potenciais reduções nos custos médios ponderados de capital (WACCs) regulatórios, já estariam refletidas nos preços das ações. Essa visão é embasada pelas performances já observadas em 2025, onde ENGI e EQTL tiveram retornos de 54% e 50%, respectivamente, enquanto outras empresas do setor, como Axia Energia, Eneva e Sabesp, apresentaram retornos entre 64% e 105%.
Nova agenda regulatória da ANEEL impulsiona otimismo
Um dos principais fatores que sustentam a mudança de narrativa é a expectativa de um impacto positivo gerado por uma nova agenda regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Os analistas acreditam que essa nova agenda trará discussões importantes sobre a criação de incentivos e a possível atualização da inadimplência regulatória, pontos cruciais para a saúde financeira das distribuidoras.
A ANEEL também deverá introduzir novas metodologias para lidar com desafios emergentes no setor. Dentre eles, destaca-se uma consulta pública sobre o Fator X, um componente essencial para o ajuste de tarifas com base nos ganhos de eficiência das distribuidoras. Essa iniciativa promete trazer maior clareza quanto ao reconhecimento anual de investimentos e fomentar um debate sobre o equilíbrio do setor em um futuro de crescimento mais moderado.
Expectativas de queda de juros favorecem ações de energia
Para a Light especificamente, a XP antecipa uma atualização na metodologia de perdas, com a possível criação de “Áreas com Severas Restrições Operacionais”. Além disso, a corretora ressalta que Energisa e Equatorial devem oferecer um perfil de longa duração e alta sensibilidade à queda de juros, tornando-as preferenciais para investidores que buscam exposição a empresas com maior alavancagem e sensibilidade à redução da taxa Selic.
A visão da XP permanece construtiva em relação à trajetória dos juros, especialmente com a aproximação do segundo semestre de um ano eleitoral. A corretora reforça a expectativa de um cenário favorável para empresas que combinam longa duração e alta alavancagem, características que as distribuidoras de energia parecem apresentar de forma promissora para 2026.

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