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Logística e Combustíveis Lideram Gastos Corporativos no Brasil: Entenda as 6 Categorias que Dominam Compras Empresariais

Metade das compras corporativas se concentra em 6 categorias; logística é destaque

No ano de 2025, uma parcela expressiva dos recursos movimentados entre empresas no Brasil, cerca de metade do valor total, esteve concentrada em apenas seis categorias de produtos. Essa concentração aponta para um direcionamento significativo dos gastos corporativos em áreas cruciais para a infraestrutura e a operação diária dos negócios.

Os dados, extraídos de um capítulo adicional do Panorama do Contas a Pagar da Qive, analisaram mais de 183 milhões de notas fiscais emitidas em 2025, totalizando R$ 1,6 trilhão em transações. A análise, que mapeou 2,67 milhões de CNPJs, agrupou os gastos com base nos capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul, oferecendo um panorama detalhado dos investimentos empresariais.

Essa compreensão aprofundada do comportamento de compra das corporações transcende a mera análise financeira, tornando-se uma ferramenta estratégica para a tomada de decisões. Eficiência, previsibilidade e a capacidade de adaptação serão, portanto, determinantes para a competitividade das empresas brasileiras nos próximos anos, especialmente com as mudanças tributárias em curso.

Combustíveis e Veículos Lideram o Ranking de Gastos Corporativos

A categoria de combustíveis e derivados de petróleo emergiu como a que mais demandou recursos das empresas, acumulando impressionantes R$ 233,8 bilhões em transações. Em seguida, veículos e autopeças representaram um volume financeiro considerável, totalizando R$ 201,2 bilhões. A terceira posição ficou com máquinas e equipamentos mecânicos, respondendo por R$ 105,6 bilhões dos gastos corporativos.

Essas três categorias, juntamente com máquinas, aparelhos e materiais elétricos (R$ 100 bilhões), produtos farmacêuticos (R$ 82 bilhões) e bebidas (R$ 78,8 bilhões), somaram juntas 50,09% de todas as compras corporativas analisadas. Essa concentração destaca a forte dependência da economia em relação à logística, mobilidade e capacidade produtiva.

Logística e Operação Diária Moldam o Perfil de Compras

Vitor de Araujo, cofundador e Head de AI Lab da Qive, ressalta que a predominância de gastos em combustíveis, veículos e máquinas reflete diretamente a dependência da economia em relação à logística, mobilidade e capacidade produtiva. Essa realidade torna a eficiência operacional e a gestão financeira fatores estratégicos indispensáveis para o crescimento empresarial.

A análise da Qive também investigou a frequência de gastos. Nesse critério, produtos farmacêuticos lideraram em número de notas emitidas, com 23,34 milhões de documentos. Veículos registraram 12,77 milhões de emissões, seguidos por máquinas mecânicas com 12,12 milhões. Essa métrica complementa a visão sobre quais itens são mais recorrentemente adquiridos pelas empresas.

Varejo e Indústria: Os Principais Motores das Compras Corporativas

O setor varejista foi o principal comprador, responsável por R$ 766,16 bilhões em compras, o que representa 47,7% do volume financeiro total. A indústria aparece em segundo lugar, com R$ 524,42 bilhões, correspondendo a 32,6% das transações. Juntos, esses setores formam a espinha dorsal do mercado B2B.

As varejistas, em particular, gastaram R$ 350 bilhões em produtos do setor industrial, evidenciando uma relação simbiótica. Do lado das vendas, a indústria lidera com R$ 812,31 bilhões. O padrão de abastecimento varejista é de compra em larga escala para manter o sortimento, enquanto setores como energia e agronegócio apresentam padrões de compra distintos, mas igualmente dependentes de logística e insumos.

Reforma Tributária e Interdependência nos Pagamentos a Prazo

Um dado relevante é que R$ 4,07 trilhões dos pagamentos entre 2023 e 2025 foram realizados a prazo, representando 76,8% dos documentos emitidos no período. A Qive alerta que a transição para o modelo IBS e CBS, promovida pela Reforma Tributária, pode impactar essa rede interdependente de pagamentos. Mecanismos como o split payment exigirão maior controle sobre documentos, apuração de prazos e créditos fiscais.

A maturidade fiscal e financeira de uma empresa, segundo Vitor de Araujo, está intrinsecamente ligada à maturidade de seus fornecedores. A interdependência entre compradores e vendedores ganha um peso ainda maior com as novas regulamentações tributárias, exigindo uma gestão mais robusta e integrada de toda a cadeia de suprimentos e pagamentos.

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