Dólar opera em baixa ante o real com esperanças de acordo entre Irã e EUA, mas atenção se volta para o cenário interno.
O dólar à vista registrou um recuo frente ao real nesta segunda-feira, impulsionado pelo crescente otimismo em relação a um possível acordo para encerrar o conflito entre o Irã e os Estados Unidos. A melhora no apetite por risco nos mercados internacionais contribuiu para a desvalorização da moeda americana.
No cenário doméstico, os investidores mantêm o foco na agenda de decisões do Banco Central e nas movimentações do Ministério da Fazenda. A liquidez do mercado segue reduzida, em parte, devido ao feriado de Memorial Day nos Estados Unidos, que manteve as bolsas americanas fechadas.
Apesar da perspectiva de um desfecho pacífico nas tensões internacionais, fatores internos e a volatilidade característica dos mercados financeiros exigem cautela. As projeções econômicas para o Brasil também foram atualizadas, adicionando camadas de complexidade à análise do comportamento do câmbio. Conforme informações divulgadas pelo Banco Central, a expectativa para a inflação em 2026 aumentou, enquanto as projeções para o dólar apresentaram queda.
Cotação do Dólar e Impacto Internacional
Às 11h23, o dólar à vista apresentava uma queda de 0,34%, negociado a R$ 5,012 na venda. O dólar futuro para junho, principal referência no mercado brasileiro, seguia a tendência de baixa, com recuo de 0,85% na B3, alcançando R$ 5,007. Essa movimentação ocorre em um contexto de declarações que indicam uma aproximação de um acordo entre EUA e Irã, embora com ressalvas. O presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou que os negociadores estão ‘chegando muito mais perto’ de finalizar um acordo para encerrar a guerra.
Otimismo cauteloso nos mercados globais
Apesar das declarações de Trump no domingo, que indicavam cautela para não apressar o acordo e a manutenção do bloqueio aos navios iranianos no Estreito de Ormuz, os mercados interpretaram o cenário com certo otimismo. Isso se refletiu na queda do preço do petróleo Brent, que recuou 5,96% às 9h32, atingindo US$97,38 o barril, e na alta dos principais índices de ações na Europa.
Efeitos da baixa liquidez e cenário doméstico
O feriado do Memorial Day nos Estados Unidos impactou significativamente a liquidez nos mercados de moedas globais. Neste cenário de menor volume de negociações, o dólar sustentou perdas em relação a outras moedas fortes, como o euro, a libra e o iene, além de divisas de países emergentes, incluindo o real brasileiro, o peso chileno e o rand sul-africano. Para referência, na sexta-feira anterior, o dólar à vista havia fechado em alta de 0,57%, cotado a R$ 5,0289.
Projeções Econômicas no Brasil
No Brasil, o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central, trouxe atualizações nas projeções econômicas. A mediana das estimativas para o IPCA (índice oficial de inflação) em 2026 subiu de 4,92% para 5,04%, marcando a décima primeira elevação consecutiva. Em contrapartida, a projeção para o câmbio em 2026 apresentou uma queda, passando de R$ 5,20 para R$ 5,17 por dólar, após uma semana de recuo da moeda americana. A expectativa para o crescimento do PIB em 2026 avançou de 1,85% para 1,89%, enquanto a projeção para a taxa Selic permaneceu estável em 13,25% ao ano.

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