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Ações da Méliuz (CASH3) caem 9%: E-commerce em baixa e efeito Casas Bahia pesam no 3T26; é hora de comprar?

Méliuz (CASH3) sente o baque do varejo online e da recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) no terceiro trimestre de 2026. Ações chegam a cair 9% no pregão.

O terceiro trimestre de 2026 apresentou um cenário desafiador para a Méliuz (CASH3), com a empresa de tecnologia financeira reportando uma desaceleração operacional. O ambiente de negócios para o varejo online se mostrou mais difícil, e a recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) também impactou os resultados.

Esses fatores levaram as ações da Méliuz a registrar perdas de quase 10% durante o pregão regular da última quinta-feira (5). Contudo, o cenário pode não ser tão desanimador quanto parece à primeira vista. Analistas de renomadas instituições financeiras ainda veem oportunidades na companhia.

Apesar dos desafios recentes, analistas do BTG Pactual e do UBS BB mantiveram a recomendação de compra para as ações da Méliuz (CASH3). Eles citam um valuation atrativo e o potencial de crescimento das novas avenidas de negócios da companhia como os principais motivos para a confiança. Conforme informação divulgada pelas fontes, a Méliuz busca se reinventar em meio a um mercado volátil.

Pente-fino no balanço da Méliuz (CASH3): Receita líquida em queda, mas lucro influenciado por fatores não recorrentes

A receita líquida da Méliuz (CASH3) totalizou R$ 96,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, o que representa uma queda de 22,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior e de 16,9% na comparação trimestral. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado.

A interrupção da parceria com a Casas Bahia (BHIA3), após o pedido de recuperação judicial da varejista, foi um dos principais motivos para essa retração. Além disso, as mudanças promovidas pela Amazon em seu programa de afiliados ainda geram impactos. A receita de e-commerce caiu 35,3%, para R$ 50,4 milhões. Apenas a saída da Casas Bahia representou aproximadamente R$ 15 milhões em receitas perdidas no trimestre.

Por outro lado, o lucro líquido atingiu R$ 113,7 milhões, mas este valor foi fortemente influenciado por efeitos não recorrentes. Destaque para a reversão de R$ 78,5 milhões em perdas por impairment relacionadas ao bitcoin (BTC) e um benefício fiscal de R$ 25,8 milhões decorrente da incorporação da Alter. Desconsiderando esses fatores extraordinários, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 19,6 milhões.

Ebitda ajustado acima das projeções e controle de custos

O Ebitda ajustado da Méliuz (CASH3) alcançou R$ 17 milhões, com uma margem de 17,7%. Embora represente uma queda de cerca de 39% em relação ao ano anterior, o número superou as projeções do UBS BB. Esse resultado foi beneficiado pela redução dos gastos com cashback e despesas de pessoal, demonstrando um esforço de controle de custos.

O principal negócio da companhia, o e-commerce, continuou enfrentando desafios. O GMV (volume bruto de mercadorias) da operação de shopping no Brasil recuou 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025, totalizando R$ 1,25 bilhão. A estratégia de diversificação, no entanto, mostra sinais positivos.

Novas linhas de negócio avançam e divisão “Beyond e-commerce” cresce

A divisão “Beyond e-commerce”, que engloba iniciativas como o Méliuz Nota Fiscal, registrou um crescimento de 24% na comparação anual em bases comparáveis. Essa área agora representa quase 29% da receita da operação brasileira. O programa de notas fiscais já processa mais de 20 milhões de comprovantes por mês, segundo o BTG.

A área de serviços financeiros também apresentou recuperação, com receita bruta de R$ 10,5 milhões, um aumento de 10% em relação ao ano anterior e de 28% frente ao trimestre imediatamente anterior. Esses resultados indicam que a estratégia de diversificação da Méliuz (CASH3) está começando a dar frutos.

Bitcoin continua no centro da estratégia de tesouraria da Méliuz (CASH3)

A estratégia de tesouraria baseada em bitcoin segue influenciando os números da Méliuz (CASH3). A companhia vendeu 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões para financiar seu programa de recompra de ações, movimento que ajudou a sustentar a liquidez. Ao final de setembro, o caixa da empresa detinha 526,7 bitcoins, avaliados em aproximadamente R$ 230 milhões.

Segundo o UBS BB, a gestão da Méliuz (CASH3) prioriza recompras de ações quando os papéis negociam com desconto, buscando elevar a quantidade de Bitcoin por ação. O primeiro programa de recompra consumiu R$ 41,5 milhões e gerou um ganho de 8,5% em “Bitcoin Yield”, métrica utilizada pela companhia para medir a exposição da criptomoeda por ação.

Veredito final: o que dizem os analistas sobre a Méliuz (CASH3)?

Os analistas do BTG Pactual, Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale, reconhecem a perda de ritmo operacional da Méliuz (CASH3), atribuindo-a à desaceleração do e-commerce e aos impactos da recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3). No entanto, avaliam que parte dessas pressões deve diminuir com o tempo.

O BTG vê potencial de compensação pelo crescimento do Méliuz Nota Fiscal e novas parcerias em serviços financeiros. Para o banco, as ações da Méliuz (CASH3) negociam a múltiplos atrativos, com potencial de valorização de mais de 60%, reiterando a recomendação de compra com preço-alvo de R$ 7.

Já os analistas do UBS BB, Kaio Prato, Camila Azevedo e Eduardo Resende, classificaram o trimestre como de crescimento fraco, mas dentro do esperado. O principal ponto negativo foi a pressão sobre a monetização do marketplace, enquanto o controle de custos ajudou a compensar a receita mais fraca. O UBS também manteve a recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 6, argumentando que a companhia continua negociando a níveis atrativos de valuation.

Para ambos os bancos, a recomposição das receitas fora do comércio eletrônico e o avanço da estratégia de bitcoin seguem como potenciais catalisadores para a Méliuz (CASH3) nos próximos trimestres.

Importante: este artigo é material educativo, escrito para ajudar você a entender como os investimentos funcionam. Ele não é uma recomendação de compra ou venda de nenhum ativo. Orientação personalizada para o seu caso faz parte da consultoria, que é um serviço à parte. Os exemplos e simulações são ilustrativos; taxas, regras e impostos podem mudar. Confira sempre as informações atualizadas nas fontes oficiais (Tesouro Direto, B3, Receita Federal, CVM) antes de tomar qualquer decisão.

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