Bitcoin mergulha abaixo de US$ 60 mil, nível de setembro de 2024, após dado dos EUA
O Bitcoin (BTC) acelerou sua trajetória de queda, rompendo o importante patamar psicológico de US$ 60 mil nesta sexta-feira (5). Este é o menor valor registrado desde meados de setembro de 2024, levantando preocupações sobre a sustentação do ciclo de alta das criptomoedas.
O principal gatilho para essa desvalorização foi a divulgação do relatório de emprego (payroll) de maio nos Estados Unidos. O número de 172.000 novas vagas criadas superou em mais do que o dobro as expectativas do mercado, que projetava entre 80.000 e 85.000 novos postos de trabalho.
Um mercado de trabalho mais aquecido do que o esperado tende a diminuir as chances de o banco central americano, o Fed, promover cortes nas taxas de juros em suas próximas reuniões. Essa perspectiva pressiona diretamente ativos de risco, como é o caso das criptomoedas, que se beneficiam de um ambiente de juros baixos.
Ethereum sofre perdas ainda maiores em meio à turbulência
O Ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, não escapou da onda vendedora e registrou uma queda ainda mais acentuada. No dia, o ETH chegou a recuar mais de 10%, sendo negociado a US$ 1.590. No acumulado da última semana, o Bitcoin acumula uma desvalorização de 17%, enquanto o Ether perde 21%.
Esta é a mais longa sequência de perdas para o Bitcoin desde agosto de 2025, iniciada na segunda-feira (2). A venda de uma pequena quantidade de Bitcoins pela Strategy, primeira vez desde 2022, também contribuiu para o cenário de incerteza.
A saída contínua de recursos dos fundos de investimento em Bitcoin negociados em bolsa nos Estados Unidos, somada ao descolamento em relação às bolsas americanas — que seguem batendo recordes impulsionadas pela euforia com inteligência artificial — corroem a confiança dos investidores no mercado cripto.
US$ 60 mil: um suporte crucial sob pressão
Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets, destacou a importância do nível de US$ 60 mil. “O nível de US$ 60 mil foi um forte suporte em fevereiro e a última vez que foi visto foi em 2024, antes da eleição de Trump, então uma ruptura clara vai ser prejudicial”, afirmou à Bloomberg.
A divergência entre o mercado cripto e as bolsas americanas também chama a atenção. Dean Chen, analista da corretora Bitunix, explicou à Bloomberg que “à medida que o capital global continua fluindo para ações de inteligência artificial e tecnologia de grande capitalização, os ativos digitais precisam competir com esses setores de alto crescimento pela alocação dos investidores”.
Sinais de alerta na blockchain e movimentação das “baleias”
Dados on-chain reforçam a pressão vendedora. As perdas realizadas no mercado agregado saltaram para US$ 1,3 bilhão por dia com o Bitcoin na região dos US$ 62 mil, segundo análise de Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vaul Capital. Cerca de 59% dessas vendas, o equivalente a US$ 770 milhões, vieram de detentores de longo prazo, indicando que investidores que compraram perto do topo do ciclo estão realizando prejuízos.
Grandes investidores, conhecidos como “baleias”, também dão sinais de alerta. Os depósitos de Bitcoin na Binance dobraram ao longo da semana, com mais de 8.200 BTC enviados em 2 de junho e mais de 6.400 BTC em 4 de junho, ante uma média mensal de 1.200 BTC desde meados de abril. Movimentos assim geralmente indicam intenção de venda.
No entanto, a Vault Capital pondera que a leitura não é definitiva. Níveis semelhantes de depósitos de baleias foram vistos em fevereiro, antes de uma recuperação local. Esse dado, que aponta pressão vendedora, também pode sinalizar a exaustão do movimento de queda.
O que observar agora no mercado de Bitcoin
Tecnicamente, o nível de US$ 60 mil é o ponto crucial. Um fechamento abaixo desse patamar pode abrir espaço para quedas em direção à faixa de US$ 55 mil a US$ 58 mil, segundo Camargos. Por outro lado, uma recuperação sustentada acima de US$ 65 mil ao fim da semana seria o primeiro sinal de estabilização.
Análises técnicas recentes reforçam essa visão. “Enquanto isso não ocorrer, sigo interpretando o cenário técnico como predominantemente baixista, com o mercado concentrando suas atenções na defesa da importante faixa dos US$ 60 mil”, escreveu o analista Rodrigo Paz.
O mercado também aguarda a reunião do Fed nos dias 16 e 17 de junho. O forte dado de emprego reduz as chances de corte de juros, mas o tom da comunicação do banco central será fundamental para definir o apetite por risco nas próximas semanas.

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