Brasil e Austrália pedem à China aumento nas cotas de exportação de carne bovina para evitar tarifas elevadas e paralisação do comércio.
Os maiores exportadores mundiais de carne bovina, Brasil e Austrália, estão intensificando esforços para convencer a China a expandir suas cotas de importação. A medida visa evitar que ambos os países esgotem seus limites estabelecidos e, consequentemente, precisem suspender os embarques.
A China, principal mercado consumidor global de carne bovina, absorveu produtos no valor de quase US$ 3 bilhões do Brasil e cerca de US$ 1 bilhão da Austrália apenas no primeiro trimestre deste ano. No entanto, um sistema de cotas introduzido em dezembro passado pode impor uma tarifa de 55% sobre os embarques de ambos os países já no próximo mês, caso o ritmo atual de exportações se mantenha, bloqueando efetivamente o comércio.
Diante deste cenário, o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, aproveitaram suas recentes visitas à China para dialogar com autoridades chinesas sobre a necessidade de aumentar as cotas de importação. A informação foi divulgada por pessoas familiarizadas com as discussões, conforme apurado por fontes. A pressão ocorre em um momento crucial para o setor, que busca garantir o fluxo contínuo de suas exportações para o gigante asiático.
Lobby por maior acesso e flexibilização das regras
Brasil e Austrália estão pleiteando que a China realoque cotas de exportação não utilizadas por outras nações para seus próprios embarques. Essa estratégia surge como uma alternativa para contornar o iminente bloqueio comercial. Dados do governo chinês indicam que, até o final de março, países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia haviam utilizado apenas uma parcela de suas cotas, abrindo uma possível brecha para a realocação.
Além disso, as autoridades australianas também apresentaram à China a proposta de isentar ossos e carne resfriada da cota. Essa medida, se aprovada, permitiria um aumento significativo no volume total de embarques para o país. As negociações seguem em andamento, mas a resposta oficial do Ministério do Comércio e do Departamento de Alfândega da China ainda não foi divulgada, assim como a posição da embaixada brasileira em Pequim.
Esforços anteriores e perspectivas incertas para a carne bovina
Fontes indicam que Brasil e Austrália já haviam pressionado por mudanças em reuniões anteriores com autoridades chinesas, sem sucesso até o momento. Especialistas em comércio internacional mostram-se céticos quanto a uma mudança rápida de posição por parte da China. Isabel Nepstad, presidente-executivo da BellaTerra Consulting, avalia que a China provavelmente rejeitará novamente os pedidos de aumento das cotas, apesar dos esforços contínuos de lobby.
A situação é crítica para o Brasil, que pode perder até US$ 3 bilhões em receita de exportação este ano se as cotas não forem alteradas, segundo a associação brasileira de carne bovina Abrafrigo. Para a Austrália, a situação pode ser menos drástica, com analistas apontando a possibilidade de redirecionar fluxos de exportação para mercados como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. A recente reabertura do mercado chinês para produtores norte-americanos após a visita do presidente Donald Trump pode, inclusive, diminuir a probabilidade de expansão das cotas para outros países, segundo Matt Dalgleish, da consultoria australiana Episode 3.

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