BTG Pactual prevê trimestre desafiador para materiais básicos, com foco em custos e câmbio desfavorável.
O BTG Pactual divulgou suas expectativas para o segundo trimestre de 2026, antecipando uma temporada de resultados considerada fraca para a maioria das empresas do setor de materiais básicos sob sua cobertura.
A análise do banco aponta que a estabilidade nos preços das commodities, a valorização do real frente ao dólar e o aumento da inflação de custos devem impactar negativamente o desempenho financeiro de diversas companhias neste período.
No entanto, o setor siderúrgico surge como uma exceção, com a Gerdau (GGBR4) sendo apontada como a principal escolha defensiva. Conforme divulgado pelo BTG Pactual, os detalhes dessas projeções e os motivos por trás delas foram apresentados em sua recente análise setorial.
Inflação de Custos e Câmbio Pressionam Resultados
O principal fator de preocupação para o segundo trimestre, segundo o BTG, é a inflação de custos. A guerra tem gerado efeitos significativos em insumos ligados ao petróleo e ao diesel, elevando despesas operacionais. Um exemplo citado é a alta de 37% nos fretes entre Brasil e China.
Adicionalmente, a menor diluição dos custos fixos em função de volumes abaixo do esperado e a valorização do real em cerca de 4% frente ao dólar também devem pressionar as exportadoras, reduzindo a competitividade no mercado internacional.
Empresas produtoras de cobre e celulose, apesar de terem se beneficiado de preços de venda mais altos, podem ter seus resultados compensados pelo câmbio desfavorável e pelo aumento dos custos. Já mineradoras de ferro e ouro enfrentam um cenário ainda mais adverso, com preços realizados menores e despesas operacionais mais elevadas.
Siderúrgicas em Destaque, Gerdau Lidera Preferências
Em contrapartida, o setor siderúrgico é visto com otimismo pelo BTG. A expectativa é que as siderúrgicas apresentem o melhor desempenho da temporada, impulsionadas por um maior poder de precificação e pela recuperação dos volumes. Esses fatores devem ser suficientes para neutralizar o impacto da inflação de custos.
Nesse contexto, a Gerdau (GGBR4) mantém-se como a favorita do BTG. A companhia se beneficia da alta nos preços do aço no México, no Brasil e nos Estados Unidos, o que sustenta sua posição como uma escolha defensiva resiliente.
Projeções Detalhadas para Empresas Chave
O BTG Pactual detalhou suas projeções para algumas das principais empresas do setor. Para a Vale (VALE3), a expectativa é de receita líquida de US$ 10,5 bilhões, um avanço de 19% em relação ao ano anterior. Contudo, o Ebitda deve crescer em ritmo menor, atingindo US$ 3,83 bilhões, com um aumento de 12%, refletindo a pressão dos custos.
A CSN Mineração (CMIN3) deve apresentar receita líquida de R$ 4,25 bilhões, com um avanço de 5%. No entanto, o Ebitda é projetado em R$ 1,02 bilhão, uma queda de 20%, devido ao aumento dos custos e à previsão de queda de 3% nos volumes de minério.
Para a CSN (CSNA3), a expectativa é de estabilidade operacional, com receita líquida de R$ 10,8 bilhões e Ebitda de R$ 2,69 bilhões. A companhia deve reduzir seu prejuízo, passando de R$ 95 milhões para R$ 58 milhões, com um crescimento de 6% nos volumes de aço.
A Gerdau, principal recomendação do banco, deve registrar receita líquida de R$ 17,4 bilhões, praticamente estável. O Ebitda, porém, deve avançar 27%, para R$ 3,26 bilhões, e o lucro líquido atingir R$ 1,55 bilhão.
A Usiminas (USIM5), por outro lado, tem projeção de receita líquida de R$ 6,14 bilhões, uma queda de 7%. Apesar disso, a empresa deve apresentar forte expansão de rentabilidade, com Ebitda de R$ 716 milhões (alta de 75%) e lucro líquido de R$ 341 milhões.
Destaques Negativos e Alternativas Favoráveis
Entre os destaques negativos previstos para a temporada, o BTG cita Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Aura Minerals (AURA33), CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3). A Suzano, por exemplo, deve sentir os efeitos de menores volumes, da valorização do real e de maiores gastos com manutenção.
Por outro lado, o banco vê um cenário mais favorável para Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3). Essas empresas são impulsionadas pelo bom momento dos mercados de embalagens e papelão ondulado, apresentando perspectivas mais positivas em meio a um cenário geral desafiador para o setor de materiais básicos.

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