Construção Civil no 1T26: Um Cenário Dividido Segundo o BTG Pactual
O primeiro trimestre de 2026 (1T26) apresentou um quadro misto para o setor de construção civil no Brasil. Enquanto empresas focadas na baixa renda exibiram um crescimento robusto, impulsionadas por programas habitacionais, os segmentos de médio e alto padrão registraram uma perda de ritmo nas vendas e sinais de desaceleração.
Essa divergência de desempenho foi detalhada em um relatório recente do BTG Pactual, que analisou os resultados financeiros e operacionais das companhias do setor. A análise destaca a resiliência do segmento econômico, mesmo diante de pressões de custos, e os desafios enfrentados pelas construtoras de imóveis de maior valor.
O relatório do BTG Pactual oferece um panorama crucial para investidores e para o mercado, indicando as tendências que moldam o futuro próximo da construção civil no país. Acompanhe os detalhes que explicam essa divisão de performance entre os diferentes nichos do setor.
Baixa Renda: Tração Forte Impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida
O segmento de baixa renda foi, sem dúvida, o principal destaque positivo do 1T26. Apesar das preocupações recentes com o aumento dos custos de construção, as condições favoráveis dentro do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) sustentaram a demanda, evitando uma perda de ritmo no início do ano.
As vendas nesse nicho avançaram impressionantes 20% na comparação anual, demonstrando a força da demanda reprimida e o impacto positivo das políticas habitacionais. Financeiramente, a receita cresceu 27%, e a margem bruta se manteve em um patamar saudável de 36%, com uma leve alta de 0,5 ponto percentual. O lucro líquido consolidado apresentou uma expansão expressiva de 268%.
É importante notar que o impacto das mudanças recentes no MCMV ainda não foi plenamente sentido no período, pois os ajustes foram aprovados em março, mas passaram a vigorar apenas no fim de abril. As novas regras do programa, que incluem o aumento dos tetos dos imóveis financiáveis e a elevação da renda máxima das famílias atendidas, prometem continuar impulsionando este segmento.
Empresas como Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) foram citadas pelo BTG como exemplos de desempenho consistente na baixa renda. A Tenda, em particular, é apontada como a principal escolha do banco no setor, negociada a cerca de 6 vezes o múltiplo Preço/Lucro (P/L) estimado para 2026.
Média e Alta Renda: Perda de Fôlego em Cenário Desafiador
Em contrapartida, o grupo de média e alta renda apresentou um quadro mais fraco e desigual no 1T26. O relatório indica uma desaceleração nas vendas e no ritmo de lançamentos, especialmente em São Paulo, em meio a um cenário macroeconômico mais desafiador, marcado principalmente pelos juros elevados.
Apesar desses obstáculos, a receita consolidada desse nicho ainda registrou um crescimento de 13% na comparação anual, impulsionada principalmente por projetos lançados em trimestres anteriores. As margens se mantiveram em níveis saudáveis, em torno de 36%, um indicativo da capacidade de gestão das empresas.
No entanto, o lucro por ação recuou, e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou, na maior parte das empresas, abaixo do custo de capital. No agregado, o lucro líquido do segmento avançou apenas 6% no trimestre, com o desempenho sendo puxado por poucas companhias. A Moura Dubeux (MDNE3) foi um dos destaques positivos citados pelo BTG neste segmento.
Perspectivas e Tendências para o Setor
O BTG Pactual ressalta que os resultados do 1T26 confirmaram as tendências previstas pelo banco. O sólido desempenho das construtoras de imóveis econômicos, apoiado pelas condições favoráveis do MCMV, contrasta com a perda de força no setor de renda média e alta. O cenário macroeconômico mais desafiador, com juros altos, já começa a afetar o ritmo de comercialização desses imóveis.
Essa divisão de performance sugere que as estratégias de investimento no setor de construção civil podem precisar de ajustes, com foco maior nas empresas que se beneficiam diretamente de programas habitacionais governamentais ou que possuem modelos de negócio resilientes a ciclos de juros mais altos.

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