Custo do crédito no Brasil atinge o maior patamar em quase uma década, pressionando famílias e empresas
O cenário econômico brasileiro apresenta um desafio crescente: o custo do crédito está mais alto do que em quase dez anos. Dados recentes do Banco Central revelam que a taxa média de juros nas concessões de crédito atingiu 33,1% ao ano em março, um nível não visto desde o período de 2016-2017.
Esse aumento representa uma elevação de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e um acréscimo de 1,9 ponto percentual na comparação anual. A última vez que a taxa média de juros se aproximou dessa marca foi em outubro de 2016, evidenciando a gravidade do atual momento para quem busca financiamento.
A situação se agrava quando analisamos os dados segmentados. Para as pessoas físicas, o custo do crédito alcançou a média de 38,4% ao ano em março, um aumento de 2,8 pontos percentuais em relação a março de 2024. Esse patamar é o mais elevado desde março de 2017, quando a taxa chegou a 40,6%, conforme divulgado pelo Banco Central.
Inadimplência e Endividamento Familiar em Níveis Críticos
Paralelamente ao aumento do custo do crédito, outros indicadores preocupantes emergem. A taxa média de inadimplência das pessoas físicas ficou em 7% em março. Embora ligeiramente inferior aos 7,2% de fevereiro, esses níveis representam os mais altos desde o último trimestre de 2012, sinalizando dificuldades financeiras para uma parcela significativa da população.
O endividamento das famílias também atingiu um ponto crítico. Em fevereiro, o endividamento totalizou 49,9% da renda, com um aumento de 0,1 ponto percentual no mês e 1,3 ponto percentual em doze meses. Esse patamar iguala o recorde histórico registrado em outubro de 2022. Além disso, o comprometimento da renda com dívidas subiu 0,2 ponto percentual no mês e 1,9 ponto percentual em doze meses, alcançando 29,7%, o maior índice da série histórica do Banco Central.
Perspectivas Desafiadoras para o Crédito
Especialistas apontam que o atual quadro de crédito representa um fator de vulnerabilidade para a economia no médio prazo. Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que as condições de crédito devem enfrentar ventos contrários nos próximos meses, impulsionadas pela política monetária restritiva e pela desaceleração do crescimento econômico e do mercado de trabalho, segundo análise de Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs.
Por outro lado, Ramos sugere que uma atuação mais ativa dos bancos públicos na concessão de crédito e a implementação de novas linhas de financiamento patrocinadas pelo governo e por bancos públicos, especialmente no período que antecede as eleições de 2026, podem ajudar a amortecer o ciclo de crédito.
Juros no Crédito Livre e Rotativo Alarmam
A dimensão do alto custo dos empréstimos também é refletida nas operações de crédito com recursos livres. A taxa média de juros nesse segmento ficou em 48,3% ao ano, apenas 0,1 ponto percentual abaixo de fevereiro, mas 4,4 pontos percentuais acima do observado há um ano. Esses patamares não eram registrados desde outubro de 2017.
No crédito livre especificamente para pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu impressionantes 61,5% ao ano, com uma leve queda de 0,4 ponto percentual no mês, mas um aumento expressivo de 4,7 pontos percentuais em doze meses. As modalidades de operação com os juros mais elevados em março foram o rotativo do cartão de crédito, com 428,3% ao ano, e o parcelamento no cartão de crédito, com 192,1% ao ano. Embora a taxa do rotativo tenha diminuído em relação ao ano passado, a do parcelamento está 9,4 pontos percentuais mais alta.

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