Dólar perde força e fecha em R$ 5,17 com petróleo em alta e novas tensões globais
O dólar à vista encerrou o pregão desta quarta-feira (10) em queda de 0,09%, cotado a R$ 5,1726. A desvalorização da moeda americana no Brasil contrastou com seu desempenho no exterior, onde o índice DXY, que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, apresentava alta.
A principal força por trás da queda do dólar no mercado brasileiro foi a valorização expressiva do petróleo no cenário internacional. Essa alta está diretamente ligada ao aumento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, reacendendo preocupações com a oferta global de energia.
Além do conflito no Oriente Médio, dados recentes de inflação nos Estados Unidos e o cenário eleitoral brasileiro também estiveram no radar dos investidores, adicionando camadas de complexidade à dinâmica cambial. Conforme informação divulgada pelo G1, o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1726, com queda de 0,09%.
Tensões EUA-Irã Impulsionam Petróleo e Afetam o Dólar
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a ser um fator determinante para o mercado de commodities. Declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre a demora do Irã em negociar um acordo e ameaças de ataques mais fortes após o abate de um helicóptero no Estreito de Ormuz elevaram o preço do petróleo Brent. O contrato para agosto encerrou em alta de 1,80%, a US$ 93,10 o barril.
Em resposta, o Irã indicou que reavaliará o diálogo diplomático com Washington. Apesar da retórica acirrada, Trump também mencionou a continuidade das conversas para um eventual acordo, buscando um entendimento que seja “significativo” e “funcione”. Essa instabilidade global favoreceu o real frente ao dólar.
Inflação nos EUA e Perspectiva de Juros Elevados
Novos dados de inflação nos Estados Unidos também trouxeram novidades. O índice de preços ao consumidor (CPI) acelerou para 4,2% na base anual, o maior patamar desde abril de 2023. O grupo de energia foi o principal responsável por essa alta, refletindo os impactos da guerra e da disparada dos preços do petróleo.
Essa aceleração inflacionária levou o mercado a adiar a expectativa de corte nos juros pelo Federal Reserve (Fed). A aposta majoritária mudou de outubro para dezembro para a primeira alta nos juros, com a ferramenta FedWatch, do CME Group, mostrando 67,3% de chance para uma elevação na última decisão do ano. Para a reunião de junho, a probabilidade de manutenção dos juros é de 98,3%.
Cenário Interno: Selic em Foco
No Brasil, o cenário econômico continua sob observação. O mercado já precifica a manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para o dia 17. Essa expectativa tem sido consistente desde a semana passada, indicando um período de estabilidade na política monetária doméstica.
A dinâmica entre as tensões internacionais, a performance das commodities e a política monetária nos EUA, somadas ao cenário eleitoral brasileiro, continuará a influenciar o comportamento do dólar nas próximas semanas. A busca por um acordo entre EUA e Irã e a evolução da inflação americana serão pontos cruciais a serem acompanhados.

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