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EUA têm sorte de não serem mais potência industrial: Economista explica como desindustrialização protege o país de crises globais

Economista aponta desindustrialização como escudo protetor para os EUA em meio a crises energéticas globais

A guerra no Irã, que já dura nove semanas, tem causado um estrangulamento no Estreito de Ormuz, afetando o fluxo de mais de 20% do suprimento mundial de energia. Isso resultou em um aumento significativo nos preços da gasolina nos EUA, ultrapassando US$ 4,45 o galão em média, com picos de US$ 6 em algumas regiões, níveis não vistos desde 2022.

A inflação subjacente também sentiu o impacto, com um salto de 0,7% em março, impulsionado pela alta do petróleo. Produtos básicos como tomates, bananas e cebolas já ficaram mais caros, e a expectativa é de que os custos de alimentos continuem a subir devido ao aumento dos preços de fertilizantes, essenciais para a produção agrícola.

No entanto, apesar desse cenário desafiador, um economista sugere que a situação nos Estados Unidos poderia ser muito pior. Eswar Prasad, professor sênior de política comercial e economia na Universidade Cornell, argumenta que a perda de protagonismo industrial do país e a transição para uma economia mais voltada a serviços têm, paradoxalmente, protegido os americanos de impactos mais severos. Conforme apurado pela Fortune, essa mudança estrutural na economia americana é um fator chave para sua resiliência.

A resiliência americana impulsionada pela economia de serviços

Prasad explica que, embora o aumento nos preços dos combustíveis seja visível, o impacto geral na economia dos EUA é limitado pela menor dependência da indústria. Essa **desindustrialização** gradual, que se intensificou a partir do auge industrial em 1979, transformou o país em uma economia predominantemente de serviços.

A transição para o setor de serviços, impulsionada por fatores como a desregulamentação financeira e a ascensão da tecnologia da informação, reduziu a exposição direta dos EUA a choques nas cadeias produtivas industriais. Isso contrasta com países como a Alemanha, onde a indústria ainda representa uma parcela significativa do PIB, tornando-os mais vulneráveis a disrupções como a atual crise energética.

O declínio da indústria e a ascensão dos serviços nos EUA

O pico do emprego industrial nos EUA foi registrado em 1979, com 19,6 milhões de trabalhadores. Ao longo das décadas, com a globalização e a busca por mão de obra mais barata, o setor industrial encolheu. Em junho de 2019, o emprego industrial havia caído para 12,8 milhões, uma redução de mais de um terço.

Em paralelo, houve uma revolução no trabalho de escritório, com a expansão do setor financeiro e de tecnologia. Mesmo as tentativas do governo Trump de revitalizar a indústria com tarifas de importação não reverteram a tendência, e alguns economistas apontam que as próprias tarifas podem ter dificultado a expansão das empresas americanas.

Produtividade em alta: um novo pilar da economia americana

Além da mudança para uma economia de serviços, Prasad destaca um avanço na produtividade americana desde o fim de 2019, superando o de outros países desenvolvidos. Esse aumento de produtividade, possivelmente impulsionado pelo trabalho remoto e pela automação, tem sido fundamental para manter a economia robusta.

Uma maior produtividade geralmente se traduz em crescimento econômico sem pressões inflacionárias significativas. Embora as causas exatas desse salto ainda sejam debatidas, como o papel da inteligência artificial, a tendência geral aponta para uma maior resiliência da economia dos EUA diante de choques globais.

EUA em posição privilegiada para enfrentar choques globais

A posição dos EUA como exportador líquido de petróleo também ajuda a amortecer o impacto da crise. No entanto, segundo Prasad, a proteção mais eficaz reside na estrutura de sua economia. Países altamente industrializados, como a Alemanha, que dependem mais da indústria, enfrentam maiores desafios com a interrupção do fornecimento de energia e matérias-primas.

Enquanto outras nações correm para encontrar alternativas energéticas e lidam com a escassez, os Estados Unidos, com sua economia menos dependente da indústria e um crescimento notável na produtividade, parecem estar em uma posição mais vantajosa para resistir a choques globais, como a guerra no Irã e suas consequências energéticas e econômicas. A **desindustrialização**, vista por muitos como um ponto fraco, emerge como um fator de sorte e proteção para a economia americana.

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