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Brasil: O Destino Natural de um Mundo Sem Extremos e a Bolsa que Pode Decolar Mais

André Lion, da Ibiuna Investimentos, vê potencial de alta na Bolsa brasileira caso o juro real ceda e o cenário global se estabilize, enquanto o investidor local permanece receoso.

O cenário global tem impulsionado o interesse de investidores estrangeiros por commodities e energia, e o Brasil se encontra em uma posição privilegiada. Com o Ibovespa praticamente dobrando de valor e a perspectiva de uma tendência favorável contínua, surge a oportunidade para que investidores que antes se concentravam na renda fixa migrem para o mercado de ações. Esta é a visão de André Lion, sócio e gestor de renda variável da Ibiuna Investimentos.

Lion, no entanto, ressalta que a tese de investimento no Brasil possui limitações e falha em momentos de extremos globais. Em cenários de recessão mundial, os investidores tendem a buscar segurança em ativos menos arriscados, afastando-se de mercados emergentes. Por outro lado, em períodos de forte aceleração econômica nos Estados Unidos, o foco se volta para ativos norte-americanos, reduzindo a necessidade de diversificação internacional.

“No meio do caminho, o Brasil segue como destino natural”, afirma Lion. Apesar disso, ele aponta que a maioria dos investidores pessoa física no Brasil ainda possui uma alocação mínima ou inexistente em bolsa, mantendo uma forte preferência pela renda fixa, mesmo diante de retornos expressivos no mercado acionário, como o observado no ano anterior, quando o estrangeiro obteve lucros próximos a 100%.

O Fluxo de Capital Estrangeiro e a Guerra no Irã

A recente desaceleração no fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, após um período de entrada intensa, é vista por André Lion como um movimento saudável. Ele explica que o conflito no Irã, ao elevar os preços da energia, criou um componente estrutural e outro conjuntural para essa alta. A expectativa é que, com a normalização do cenário, os bancos centrais retomem suas políticas de flexibilização monetária, o que, no Brasil, significaria a continuidade da redução da taxa de juros.

Lion acredita que o Brasil, por apresentar juros reais mais elevados, tende a ser um dos maiores beneficiários dessa normalização. A redução da incerteza geopolítica, como um eventual acordo entre EUA e Irã, pode remover o componente conjuntural da alta energética e permitir que os mercados se concentrem nos fundamentos econômicos.

O Cenário Eleitoral Brasileiro e a Visão do Investidor Estrangeiro

O processo eleitoral brasileiro, embora em andamento, tem sido ofuscado pelas tensões globais. Lion observa que o investidor estrangeiro percebe uma clara assimetria no cenário eleitoral: um eventual “Lula 4” é visto como continuidade, enquanto uma alternância de poder poderia trazer mudanças estruturais, especialmente na área fiscal, com potencial para queda de juros e valorização de ativos. Atualmente, as pesquisas indicam uma disputa acirrada, mas com uma inversão curiosa em relação às expectativas anteriores.

A complacência do investidor estrangeiro com o Brasil está ancorada em um cenário de dólar fraco e busca por commodities. Qualquer mudança nesse quadro, como um dólar forte ou menor demanda por commodities, poderia reduzir rapidamente essa receptividade. Lion enfatiza que o Brasil se encaixa bem no perfil buscado por esses investidores, devido à sua liquidez, tamanho de mercado e composição da bolsa, mas alerta para a necessidade de monitoramento constante.

O Investidor Local e a Renda Fixa: Um Amor Difícil de Romper

A relutância do investidor local em alocar recursos na bolsa, mesmo com um cenário global favorável, é um ponto de atenção. André Lion explica que isso se deve, em grande parte, ao custo de capital mais baixo para o investidor estrangeiro, que não sente o impacto do juro real da mesma forma que o brasileiro. Para o investidor local, o custo de oportunidade na renda fixa é uma barreira significativa para a migração para ações.

Apesar de a bolsa ter apresentado uma valorização expressiva, muitos brasileiros permaneceram na renda fixa, garantindo retornos de cerca de 15% em um ano em que o Ibovespa quase dobrou. Lion considera que a percepção de que a renda fixa é o melhor ativo existente precisa ser gradualmente desconstruída. Ele destaca que a maioria das pessoas físicas ainda possui uma exposição mínima ou nula à bolsa.

Potencial de Valorização na Bolsa Brasileira

O gestor da Ibiuna Investimentos aponta que, caso o juro real no Brasil ceda para perto de 5%, ativos domésticos teriam potencial de valorização entre 30% e 50%. Esse cenário construtivo depende de uma solução para as incertezas internacionais, um ajuste fiscal razoável por parte do governo brasileiro e a continuidade do crescimento econômico do país, com projeções de 2% a 3% ao ano.

Na visão de Lion, há oportunidades significativas no mercado acionário. A Ibiuna tem comprado ativamente ações, com destaque para Petrobras (PETR4), cujas perspectivas melhoraram com a elevação estrutural do preço do petróleo, e empresas resilientes do varejo e de outros setores com baixo endividamento e valuations atrativos, como a C&A (CEAB3).

Para o investidor que ainda não tem exposição à bolsa, Lion aconselha cautela e um investimento recorrente, alocando pequenas quantias de forma regular. Ele ressalta que não existe um momento perfeito para entrar no mercado, e o ideal é construir uma posição confortável, que permita ao investidor dormir tranquilo, sem apego excessivo ou aversão à classe de ativos de ações.

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