Operação Policial em Contrato de R$ 108 Milhões da Prefeitura de SP Gera Mal-Estar na Gestão Nunes e Levanta Suspeitas
A ação da Polícia Civil que mirou um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e uma ONG gerou forte incômodo na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A operação, que incluiu busca e apreensão na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, atingiu uma entidade ligada à mesma dona da produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Aliados do prefeito classificaram a ação como “desnecessária e midiática”, argumentando que os detalhes do contrato com o Instituto Conhecer Brasil (IBT) e suas prestações de contas já eram públicos. A surpresa na prefeitura foi grande, especialmente por a investigação partir da polícia estadual, levantando questionamentos sobre o momento da operação.
O caso teve início com uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) em dezembro de 2025, que apontou suspeitas de irregularidades no contrato. O MPF encaminhou o caso ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que solicitou a abertura de inquérito policial em março. A investigação foi conduzida pela 2ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Fraudes (Discca), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
Contrato de Wi-Fi para Periferias Sob Investigação
O contrato em questão, no valor de R$ 108 milhões, foi firmado com o Instituto Conhecer Brasil (IBT) para a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da periferia paulistana. O IBT tem como proprietária Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”.
A gestão de Ricardo Nunes reagiu com surpresa e insatisfação. Pessoas próximas ao prefeito relataram que a operação pegou Nunes de surpresa, principalmente por ter sido deflagrada pela polícia estadual. Em sua manifestação sobre o caso, o prefeito chegou a sugerir uma possível **conotação política** na ação, questionando: “por que só agora essa questão?”.
Polícia Civil e Relações Políticas em Foco
Apurações indicam que a operação policial não passou pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública, avançando de forma mais discreta. Nos bastidores, há relatos de insatisfação de uma ala da Polícia Civil com a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador, ao ser questionado sobre o tema, evitou comentários, e seus aliados reforçaram a **independência da polícia**, afirmando que não caberia a Tarcísio ser informado previamente sobre a ação.
Investigação Detalhada e Próximos Passos
O delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, titular da 2ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Fraudes, foi o responsável por conduzir a investigação e solicitar ao Judiciário a autorização para a operação. A **apuração detalhada** visa esclarecer as suspeitas de irregularidades no contrato milionário, que visa levar conectividade à população de áreas periféricas da cidade de São Paulo.

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