Projeto de Lei sobre trabalho por aplicativos tem votação adiada em comissão especial da Câmara dos Deputados
O relator do projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos, deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE), anunciou que solicitará a retirada da proposta de pauta. A votação, que estava marcada para esta terça-feira (14) em uma comissão especial, foi suspensa a pedido do governo.
A decisão visa a preservar o mérito técnico do texto, que foi construído ao longo de anos com a participação de diversos setores. O objetivo, segundo o relator, é evitar prejuízos a um debate considerado essencial para milhares de trabalhadores e para o modelo de negócios.
A solicitação para a retirada partiu do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), que anteriormente ocupava a liderança do governo na Câmara. A informação foi divulgada pelo próprio deputado em nota oficial nesta segunda-feira (13). Conforme apurado, a medida busca garantir um debate mais aprofundado e evitar a aprovação de um texto considerado incompleto ou inadequado pelo Executivo.
Um parecer inovador e direitos reivindicados
Augusto Coutinho defendeu o parecer que apresentou, descrevendo-o como inovador. Ele explicou que a proposta inclui a criação de uma nova categoria de trabalhadores e garante uma série de direitos que têm sido demandados há anos pelos profissionais de aplicativos.
Entre os direitos destacados estão a transparência algorítmica, fundamental para que os trabalhadores entendam os critérios de distribuição de tarefas e remuneração. Além disso, o projeto prevê a inclusão na seguridade social, garantindo acesso a benefícios previdenciários e assistenciais.
O texto também aborda o repasse integral das gorjetas, assegurando que os valores recebidos pelos trabalhadores sejam integralmente repassados, sem descontos por parte das plataformas. Um seguro de vida e acidentes também está previsto, oferecendo maior proteção em caso de imprevistos durante o exercício da atividade.
Remuneração mínima e isenções para veículos
Para os entregadores, a proposta estabelece um valor mínimo de remuneração por hora trabalhada, buscando garantir uma renda mais justa. Há também a definição de uma retenção máxima de valores pelas plataformas, limitando o percentual que as empresas podem descontar dos ganhos dos trabalhadores.
Outro ponto importante é a previsão de isenção de impostos para a aquisição de veículos. Essa medida visa facilitar o acesso dos trabalhadores a ferramentas de trabalho mais seguras e eficientes, como motos e carros, reduzindo os custos iniciais.
Equilíbrio entre direitos e sustentabilidade dos negócios
O relator ressaltou que o projeto foi elaborado com o cuidado de não aumentar o preço para o consumidor final. A preocupação é manter a atratividade e a acessibilidade dos serviços oferecidos por aplicativos, que se tornaram parte integrante do cotidiano da população.
Da mesma forma, a proposta busca não onerar a Previdência Social, garantindo que as novas regras sejam sustentáveis financeiramente para o sistema público. O objetivo é evitar que a regulamentação gere custos adicionais significativos para o Estado.
Coutinho também enfatizou a importância de não inviabilizar o ambiente de negócios no país. Ele reconheceu o papel fundamental dos aplicativos na economia e na oferta de serviços convenientes, demonstrando um esforço para equilibrar a proteção aos trabalhadores com a viabilidade das empresas.

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